Terça, 10 Setembro 2019 11:00

Município de União do Sul realiza ações na Campanha de Prevenção ao Suicídio

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normal setembroDurante todo o mês de setembro, municípios de todo o país realizam uma grande mobilização denominada “Setembro Amarelo”. Trata-se de uma campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, iniciada no ano de 2015 pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), com a proposta de associar a cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10 de setembro). Ao longo dos últimos anos, escolas, universidades, entidades do setor público e privado e a população de forma geral se envolveram neste movimento que vai de norte a sul do Brasil. A ideia é promover eventos que abram espaço para debates sobre suicídio e divulgar o tema, alertando a população sobre a importância de sua discussão.

            No município de União do Sul, uma ação integrada entre as Secretarias de Saúde e Educação resultam em uma série de atividades realizadas nas escolas, unidades de saúde e na comunidade geral. A Secretária Municipal de Saúde, Luciane Regina Bulla, relatou as ações que estão sendo desenvolvidas: “Tivemos uma apresentação no Ato Cívico, realizado neste 7 de setembro Dia da Independência, onde nossos profissionais apresentaram uma música com uma mensagem voltada ao tema. Também foram instalados na cidade três outdoors, dando ênfase à campanha de prevenção ao suicídio; em ação integrada com as escolas realizamos um importante trabalho de orientação, acompanhamento e dinâmicas com os alunos. Este trabalho já e feito regularmente pela nossa psicóloga, mas este mês ganha destaque. Estamos realizando também uma campanha com os alunos para escolha de um slogan da campanha. O resultado com o slogan mais impactante sai no dia 20 deste mês. E no dia 27 os profissionais realizam um grande “PitStop” na Praça Municipal Valdomiro Minatti, ressaltando a relevância da campanha e a importância da valorização da vida. Queremos que toda a comunidade se engaje nesta campanha”, frisou a secretária.

            A psicóloga Liziane Zanardi falou sobre a importância dos pais, amigos e professores, e dos perigos que rondam essa nova geração: “Temos recebido com frequência pessoas em quadro depressivo, muitas delas jovens adolescentes, que precisam de um cuidado especial. Fazemos um trabalho de acompanhamento nas escolas, onde podemos identificar muitos alunos em situações de automutilação, jovens em início de quadro depressivo. Com o apoio dos professores e dos profissionais da saúde conversamos, tentamos identificar o problema e ajudar da melhor maneira possível, mas é de suma importância que os pais e os responsáveis por esses jovens estejam atentos, e busquem ajuda se precisar. A família é fundamental nessas horas, assim como os professores e amigos. Esta nova geração absorve tudo muito rápido, e tem uma certa dificuldade em enfrentar os desafios da vida. Outra questão que afeta são a internet e as redes sociais. Há uma exposição perigosa, que traz um certo risco. É importante que os pais estejam atentos aos sinais de isolamento e tristeza, que podem levar a um quadro depressivo e até de tentativa de suicídio”, colocou a psicóloga. Liziane também destacou que serão marcadas reuniões com pais e responsáveis de alunos para debater o tema, colher sugestões e propor soluções.  

            A vereadora Janice Rodrigues (PMDB) que também é professora, faz um alerta e ressalta a importância desta campanha: “Esse ainda é um assunto pesado, e não deve ser escondido. Quando olhamos para os dados, vemos que a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo. Aqui no Brasil, o suicídio é a 4ª maior causa de morte entre os jovens, então a gente se preocupa muito. Nossos jovens aqui de União do Sul também estão precisando de atenção, pois sabemos que muitos sofrem e não procuram ajuda, e acabam partindo para a automutilação ou até a tentativa de suicídio. Na verdade, o que eles querem não é acabar com a própria vida, mas sim com a dor e o sofrimento, por isso a importância dessa campanha. Como professores, sempre estamos observando qualquer sintoma anormal de comportamento, um sinal de tristeza, de apatia, e assim a escola encaminha para a psicóloga, que possui os meios certos para ajudar melhor esse jovem. E a Escola Estadual Ivaldino Frâncio, junto com a Secretaria Municipal de Saúde criaram a iniciativa da criação do slogan, incentivando o debate entre os alunos, o que com certeza lhes trará mais informação sobre o tema. Como vereadora e professora, apoiamos totalmente e estamos engajados nesta causa”, colocou a vereadora Janice.

            O vereador Abimael de Sá (PL) reforça a importância desse trabalho de conscientização: “É de suma importância que todos nós atentemos para esta campanha. É nosso dever transmitir aos mais jovens a valorização pela vida, o respeito mútuo e o amor por si próprio. São dados muito preocupantes, que nos acendem um alerta. A Saúde e Educação em conjunto vêm fazendo um excelente trabalho, atendendo aos jovens e prestando auxílio, e o Poder Legislativo tem que estar sempre junto, apoiando estas causas”, falou o vereador.  

Origem da cor amarela

            Em 1994, um jovem americano de apenas 17 anos, chamado Mike Emme, tirou a própria vida dirigindo seu carro amarelo. Seus amigos e familiares distribuíram no funeral cartões com fitas amarelas e mensagens de apoio para pessoas que estivessem enfrentando o mesmo desespero de Mike, e a mensagem foi se espelhando mundo afora. Os pais de Mike iniciaram a campanha do programa de prevenção do suicídio "fita amarela", ou "yellow ribbon", em inglês.

          No Brasil, o suicídio é considerado um problema de saúde pública e sua ocorrência tem aumentado muito entre jovens. De acordo com números oficiais, 32 brasileiros se matam por dia em média. De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está em oitavo dentre os países com maior número de suicídios, atrás de Índia, China, Estados Unidos, Rússia, Japão, Coreia do Sul e Paquistão. O Rio Grande do Sul tem a maior taxa, com 10,2 suicídios por cem mil habitantes, seguido de Roraima, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, conforme levantamento do Ministério da Saúde.


Texto: Adriano Alves - Assessoria

Fotos: Google

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